A vida é uma
combinação de sensações, nestes últimos 17 anos senti amor, senti odio, senti
raiva e já senti desilusão. Devido á pessoa tímida e fechada que sou, torna-se
difícil controlar todas estas sensações, mas mais difícil é saber como lidar
com elas. Talvez devesse ser uma rapariga normal, igual às outras, mas já não
sei exatamente o que é ser normal. Comecei a ser tratada por Mia pois quando
era pequena em vez de falar como qualquer criança, miava para me expressar.
Para mim estar na escola poderia ser muito confuso pois nunca me sentira tão
desorientada na vida como agora no 11º ano. Não sabia o que ser na vida nem
sequer queria imaginar onde estaria daqui a dois anos. Neste ano supostamente
deveria saber tudo, tirar as minhas dúvidas com pessoas adequadas, mas devido á
minha falta de expressividade, guardava tudo para mim. Mas continuava a sonhar
com um belo começo.
Adorava ser a
primeira e única filha dos meus pais, embora o meu pai não fosse muito presente
em casa apoiava-me em tudo que precisasse. A minha mãe devido ao histórico de
saúde da minha família ganhou cancro mamário, nesse tempo eu tive que ser muito
forte pois não queria que a minha mãe soubesse o quanto eu estava triste.
Quando a minha mãe me disse que tinha aquela doença estava em frente ao pc a
não fazer nada da vida. Nessa mesma noite chorei intensivamente, fiquei com
medo. Medo de perder a pessoa que mais amo no mundo, a pessoa que me criou, a
pessoa que fez com que eu nascesse. A minha vida nem sempre fora assim tão
complicada mas desde que a minha mãe ganhara o cancro o meu pai decidira
finalmente o que queria, que era não estar casado com ela. Graças ao divórcio
dos meus pais fiquei repugnada pelo amor, comecei a sentir odio por esse único
sentimento a que todos os seres vivos ficam desesperados para sentir. Há dois
anos que apenas ficava imaginando se algum dia seria amada e valorizada. Vejo
os homens a serem falsos com as mulheres que supostamente deveriam amar, tudo
que sabem é mentir. Dizem que nos amam e acabam por nos despedaçar e trocar por
outras raparigas. Mas quem é que não diria que o amor não é simplesmente desilusão.
Quem sou eu?
Era uma pergunta que me ocorria milhões de vezes na mente juntamente com outra
“Será que sou realmente feliz”. Bem devia-me dar graças ao Senhor por ter teto
e comida, mas simplesmente sentia que algo não estava certo. Um buraco
apoderava-se de mim, por vezes eu ficava bruta com as minhas amigas e com as
pessoas ao meu redor. Não sabia que havia pessoas que realmente se preocupavam
comigo. Ainda me estava a descobrir, ainda estava a aprender a amar e a ser eu
mesma. Do 5º até ao 9º nunca sentira verdadeiramente o sentido da amizade. Aquela
pessoa que sabe quando tu estás triste, mesmo nós não sabendo, aquela pessoa
que te apoia não importa o que aconteça, aquela única pessoa que te dirá sempre
o que pensa á tua frente e não por detrás de ti. Foi graças ás minhas amigas
que aprendi que há outros tipos de amor. Sem elas nunca teria chegado onde
estou agora, forte, mas não tanto, continuo a ser aquela rapariga delicada que
era nos anos anteriores.
Neste ano na
escola Caldas das Taipas algo me aconteceu, não esperava cair nas tentações
humanas. Um rapaz, Hélder, entrou para a minha turma. Ele era tudo que uma
rapariga poderia querer, bonito, simpático e musico. Tornamo-nos logo amigos,
mas houve uma vez em que ele me confessou o seu amor por mim e eu simplesmente
rejeitei-o e disse que não o queria ver mais. Contínuo sem saber por que fizera
aquilo, mas talvez ainda tenha medo a aquilo á que se chama “Amor”.
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