quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Story: Repugnação pelo Amor

1º Chapter

A vida é uma combinação de sensações, nestes últimos 17 anos senti amor, senti odio, senti raiva e já senti desilusão. Devido á pessoa tímida e fechada que sou, torna-se difícil controlar todas estas sensações, mas mais difícil é saber como lidar com elas. Talvez devesse ser uma rapariga normal, igual às outras, mas já não sei exatamente o que é ser normal. Comecei a ser tratada por Mia pois quando era pequena em vez de falar como qualquer criança, miava para me expressar. Para mim estar na escola poderia ser muito confuso pois nunca me sentira tão desorientada na vida como agora no 11º ano. Não sabia o que ser na vida nem sequer queria imaginar onde estaria daqui a dois anos. Neste ano supostamente deveria saber tudo, tirar as minhas dúvidas com pessoas adequadas, mas devido á minha falta de expressividade, guardava tudo para mim. Mas continuava a sonhar com um belo começo.

Adorava ser a primeira e única filha dos meus pais, embora o meu pai não fosse muito presente em casa apoiava-me em tudo que precisasse. A minha mãe devido ao histórico de saúde da minha família ganhou cancro mamário, nesse tempo eu tive que ser muito forte pois não queria que a minha mãe soubesse o quanto eu estava triste. Quando a minha mãe me disse que tinha aquela doença estava em frente ao pc a não fazer nada da vida. Nessa mesma noite chorei intensivamente, fiquei com medo. Medo de perder a pessoa que mais amo no mundo, a pessoa que me criou, a pessoa que fez com que eu nascesse. A minha vida nem sempre fora assim tão complicada mas desde que a minha mãe ganhara o cancro o meu pai decidira finalmente o que queria, que era não estar casado com ela. Graças ao divórcio dos meus pais fiquei repugnada pelo amor, comecei a sentir odio por esse único sentimento a que todos os seres vivos ficam desesperados para sentir. Há dois anos que apenas ficava imaginando se algum dia seria amada e valorizada. Vejo os homens a serem falsos com as mulheres que supostamente deveriam amar, tudo que sabem é mentir. Dizem que nos amam e acabam por nos despedaçar e trocar por outras raparigas. Mas quem é que não diria que o amor não é simplesmente desilusão.

Quem sou eu? Era uma pergunta que me ocorria milhões de vezes na mente juntamente com outra “Será que sou realmente feliz”. Bem devia-me dar graças ao Senhor por ter teto e comida, mas simplesmente sentia que algo não estava certo. Um buraco apoderava-se de mim, por vezes eu ficava bruta com as minhas amigas e com as pessoas ao meu redor. Não sabia que havia pessoas que realmente se preocupavam comigo. Ainda me estava a descobrir, ainda estava a aprender a amar e a ser eu mesma. Do 5º até ao 9º nunca sentira verdadeiramente o sentido da amizade. Aquela pessoa que sabe quando tu estás triste, mesmo nós não sabendo, aquela pessoa que te apoia não importa o que aconteça, aquela única pessoa que te dirá sempre o que pensa á tua frente e não por detrás de ti. Foi graças ás minhas amigas que aprendi que há outros tipos de amor. Sem elas nunca teria chegado onde estou agora, forte, mas não tanto, continuo a ser aquela rapariga delicada que era nos anos anteriores.

Neste ano na escola Caldas das Taipas algo me aconteceu, não esperava cair nas tentações humanas. Um rapaz, Hélder, entrou para a minha turma. Ele era tudo que uma rapariga poderia querer, bonito, simpático e musico. Tornamo-nos logo amigos, mas houve uma vez em que ele me confessou o seu amor por mim e eu simplesmente rejeitei-o e disse que não o queria ver mais. Contínuo sem saber por que fizera aquilo, mas talvez ainda tenha medo a aquilo á que se chama “Amor”.

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