Estava na pixina de Brito, encostada á parede branca em frente á pexina, os meus primos (Carlos e Sofia) ficaram de aparecer aqui á tarde, mas ambos me telefonaram a dizer que não podiam afinal vir. Como já tinha pago o bilhete não sai daqui, olhei para o meu lado direito e vi um grupinho, 4 raparigas e 5 rapazes. Estavam todos com cara de superiores, deveriam ser do secundário definitivamente. Uma rapariga era loira, e estava sempre a sorrir, usava aparelho nos dentes. Tentava desviar o olhar, mas acho que eu ficara hipnotizada pelo seu sorriso. Apetecia-me ir á casa de banho, mas eles estavam lá perto, decidi-me e passei por eles quando um dos gajinhos me apalpou o rabo, olhei com olhar de indignada, mas não consegui dizer nada. Fiquei com raiva do rapaz, qual é a dele? Afinal o meu feeling de passar por ali sempre estava certo.
-Desculpa de o meu amigo te ter feito aquilo! Ele ás vezes arma-se em estúpido.
Reparei que fora a rapariga que estava sempre a sorrir que falara comigo. Não disse nada, mas ela continuava ali até que eu lhe dissesse alguma coisa.
-Ok.
-Ok? Que é que isso quer dizer exactamente? Notei que estavas sozinha, por isso se quiseres companhia anda para a nossa beira. – sorriu-me, não lhe consegui dizer não.
-Tens a certeza que posso ir?
-Sim tenho, a propósito eu sou a Elisa e tu?
-Beatriz.
Ela esticou a sua mão para que eu lhe desse a minha mão, e assim o fiz. Ela levou-me aos amigos dela
-Este é o Rui, Bernardo, Pedro e João. João, não lhe tens nada a dizer?
-Tenho Lisa. Desculpa, mas é que te vi ali sozinha e quis-te fazer minha.
Ainda estávamos com a mão dada, ela era tão simpática e tão bonita. A Lisa segredou-me no ouvido:
-Confias em mim?
Eu acenei sim com a cabeça.
-Sabes João se fosses gentil podias …
Essa foi a parte em que ela me beijou delicadamente, enquanto punha ambas as mãos nos meus cabelos.
-Lisa que pensas que estas a fazer? Tinhas-me dito que só me beijavas a mim! Eu é que sou o teu namorado, não essa gaja.
-Vê lá, como falas !
-Eu vou embora!
-Não, não vais, se há alguém que tem de bazar é o Bernardo. Está tudo acabado percebes!
-Pensas que lá por seres a gaja mais boa da escola podes fazer tudo que te apetece? Achava que tinhas mudado mas continuas como se tivesses 16 anos ou 5 anos, vais ser criança para sempre, percebes?
-Como queiras! Não quero saber com o que pensas. Bea vamos dar um mergulho!
Tiramos as camisolas, olhei para ela o tempo todo, mas quando eu tirei a minha t-shirt também tive o pressentimento que ela me estava a olhar. Demos mais uma vez as mãos e fomos para a piscina. A Elisa entrou primeiro na água, eu continuava a dizer que a água estava fria, isso fez com que ela saísse da piscina e viesse atrás de mim. Para me abraçar e me molhar, ela era espantosa.
-Beatriz onde vais?
-Lisa eu não estou …
Não conseguia falar, perdi o meu raciocínio e tudo que via era escuridão. Até que voltei a ouvir vozes.
2º Capitulo - Realidade
-Beatriz acorda! Há quanto tempo estas a dormir ao sol? Olha que é perigoso.
-Sofia? Tu não tinhas ligado a dizer que não vinhas?
-A? De que é que estas a falar? A última vez que falei contigo foi ontem quando te disse que te encontrava mais tarde 30 minutos. Acho que deves ter sonhado.
-Tudo um sonho? Parecia tão real!
-O que é que parecia real? Com que sonhaste? O que sonhaste?
-Bem tu e o Carlos ligaram-me para dizer que já não podiam vir, depois conheço um grupinho 4 ou 5 rapazes e 4 raparigas, era com a Elisa que me estava a dar melhor. Eu nunca la tinha visto como é que sonhei com ela?
-Espera por acaso é com aquele grupinho que tu sonhaste? – apontou para o grupinho com que eu tinha sonhado, mas como é que é possível.
-Diz me como é que é possível sonhar com alguém que nunca conhecemos? Os nomes, como é que eu os sabia?
-Bem não sei, até pode ser que não sejam esses nomes! Ou pode ser que tu os tenhas ouvido a falar.
-Eles estão muito longe de mim, pelo menos para eu os ouvir.
-Pois e o Carlos já chegou?
-Não sei, quer dizer se ele não esta aqui é porque ainda não chegou certo? Vou lavar a cara á casa de banho, sinto-me ainda meia a acordar.
Tudo que me estava era estranho, como é que um sonho poderia parecer tão real? Sai da minha toalha amarela, calquei a relva verde, era tão macia. Passei mais uma vez pelo tal grupinho, desta vez não aconteceu nada, segui para a casa de banho, onde labei a cara, quando fui abordada.
-Estas bem?
-Eu? – olhei para o lado para verificar que era comigo que a rapariga estava a falar, para o meu espantar era a Elisa.
-Sim, é que passaste por mim, meia aeria!
-Conheces-me?
-Bem não, mas sim. Não costumo dizer isto, mas … eu sonhei contigo á uns dias contigo, não percebi que estava a sonhar até acordar.
-A? Não me gozes, foi a minha prima que te disse que eu sonhei contigo?– estava tão confusa como é que ela sonhou comigo? Eu é que sonhei com ela.
-Tu o quê? – Ela ficou pálida e espantada
-Não te falou?
-Eu nem sei quem é a tua prima. Mas então ambas sonhamos o mesmo? Que acontecia no teu sonho?
-Bem tinhas uma discussão com o teu namorado.
-Também no meu. O meu sonho acabou com tu a fugires de mim, por muito que eu corresse atrás de ti, nunca te apanhava.
-Querias me apanhar porque?
-Não me recordo, apenas sei que te tinha de abraçar.
-Isto está a ficar muito estranho, desculpa tenho de ir.
-Antes de ires quero …
Tocou-me em ambos os braços, encostou-me á tijoleira da parede e aproximava-se mais e mais de mim, até que me beijou. Senti cada sentimento como no sonho.
-Desculpa tinha que te beijar, agora sei que isto é real.
Saiu sem dizer mais alguma coisa. Ela não pode simplesmente largar uma bomba e fugir!
-Espera!
Mas ela não me ouviu, voltei para a toalha, e a Lisa voltou para á beira dos seus amigos, desta vez eles já estavam na relva. Mas ela chegou lá, tirou a camisola e ficou apenas de biquíni. A sua barriga era perfeita como todo o resto do seu corpo.
-Beatriz olha o Carlos esta agora a entrar no portão branco.
-Sim, porque é que ele está a ir cumprimentar a Lisa e os amigos?
-Acho que ele os deve conhecer. Vamos para a beira deles?
-Porque?
-Ele está a acenar-nos para irmos para lá.
-Fogo, porque é que o Carlos tem de conhecer toda a gente!?
Mal chegamos lá o Carlos apresentou-nos a todos
-Pessoal estas são as minhas primas, a Beatriz e a Sofia.
-Olá, eu sou a Lisa! – Porque é que ela estava a fazer de conta, que não tinha acontecido nada, que não me conhecia? Ela tinha me beijado! Surpreendeu-me, mas não me queixei ok? Decidi entrar no seu jogo.
-Olá sou a Bea. – Dei-lhe dois beijos no rosto, ela sorriu
-Este é o João, o Rui, o Bernardo e o Pedro. – disse-nos o Carlos
-És muito gira. – Disse-me o João, ao menos não me apalpou nada, no sonho ele pareceu um ordinário mas aqui estava a ser simpático, a Lisa não parava de olhar para mim
-É não é? Alguém quer ir para a piscina? –perguntou a Lisa
-Eu vou contigo amor. – Aproximou-se dela e deu-lhe um linguado, literalmente. Qual era a dele? Afinal eles ainda continuavam namorados.
-Então vamos, Bernardo. Beatriz queres vir?
-Não vão vocês!
-Esta bem.
O Bernardo foi com a Lisa de mãos dadas, estava a ficar cheia de ciúmes! Não sei porque mas não conseguia parar de olhar para eles. Aquele beijo, que ela me dera significara tanto para mim, mas pelos vistos ela esta disposta a esquecer e seguir em frente com o seu namorado, da merda. 5 Minutos depois reparei que ela estava sentada na piscina sozinha por isso fui ter com ela.
-Lisa porque é que estas sozinha?
-O Bernardo foi jugar matrecos com os amigos.
-E deixou-te simplesmente aqui sozinha?
-Sim.
-Porque é que me beijaste?
-Porque eu queria!
-Quando fomos para a vossa beira fizeste de conta que não me cohecias, não gostei muito, nos mal nos conhecemos, nem sei porque é que te estou a dar tanto valor. Sabes que mais eu não preciso de ti. Faz o que quiseres.
-Espera por favor não vás embora, eu preciso de ti.
Sentei-me mais uma vez na beira da piscina e ela deu-me a mão. Aproximou-se o Bernardo.
-Que estas a fazer?
-Estou com a Bea não se vê logo?
-Quero falar contigo Lisa!
-Agora não, que eu estou a falar com a Bea!
-Só me cagas, na cabeça!
-Não é bem assim.
Eles estavam a discutir por isso decidi sair da beira deles. Um relacionamento é suposto ser sereno e pacífico, não cheio de problemas. Mas quem sou eu para impor isso não namoro há 5 anos. O meu primeiro namorado foi um Paulo e nos apenas tínhamos 9 anos. Não entendíamos nada da matéria. Dávamos as mãos ia-mos para trás do pavilhão, trocar beijos inocentes. Olhei para trás, vi a Lisa quase a chorar e de repente via tudo preto, e sentia-me tonta. Acho que foi neste momento que desmaiei.
Acordei com o sol a bater-me nos olhos e com gritos.
-Bea, estás bem?
-Aaaah. Não sei bem. Onde estamos, Sofia?
-Ainda estamos na pixina de Brito, mas podemos ir para casa se não te estiveres a sentir bem.
-Não nós podemos ficar, eu quero ficar. Onde está a Lisa?
-Foi-te buscar um copo de água e um venurão.
-Está ali.
-Sofia podes ir para ali? - apontei para a beira do café, na esplanada. – Quero falar com a Lisa.
-Está bem mas não fujas, estou mesmo ali, se precisares de mim.
-Onde vais Sofia?
-Coisas da Beatriz. – sorriu
Não gostei da forma como a Sofia falou de mim para a Lisa. Como se eu fosse uma criança. A Lisa aproximou-se de mim e beijou-me na testa.
-Está melhor?
-Sim. Olha temos de falar.
-Acerca de que?
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